Quanto cobrar: como definir seu preço

Preço improvisado na hora da pergunta costuma sair abaixo do que a pessoa aceitaria. Este texto traz um método para chegar no número antes — e para saber qual é o piso que não se negocia.

Começar a anunciar · Redação Velur ·

Este texto não traz uma tabela. Qualquer número publicado aqui estaria errado para a sua cidade, para o seu tipo de atendimento e para o mês que vem — e preço copiado de tabela de internet é exatamente como se chega a um valor que não cobre os próprios custos.

O que dá para oferecer é um método, e ele tem quatro passos.

1. Seu piso

Comece pelo que sai do seu bolso, porque é o único número que não é opinião.

Some, por mês: o que você gasta para trabalhar — anúncio, deslocamento, espaço se houver, roupa, produtos, preparo — e o que precisa sobrar para viver. Divida pelo número de atendimentos que consegue fazer em um mês realista, não no mês perfeito.

O resultado é o seu piso. É o valor abaixo do qual um atendimento te custa dinheiro em vez de render.

Duas coisas que quase sempre ficam de fora da conta e deveriam entrar:

  • O tempo que não é atendimento. Responder mensagem, se arrumar, deslocar, organizar fotos. Se você contar só a hora do encontro, está trabalhando de graça no resto.
  • O imposto. Rendimento recebido de pessoa física é tributável e o recolhimento mensal é seu, como está em imposto, CBO e formalização. Preço que ignora isso é preço que vai encolher depois.

2. A praça

Agora olhe para fora, mas olhe direito.

Abra os anúncios da sua cidade, do seu tipo de atendimento, e anote a faixa: o que cobra a maioria, o que cobram os extremos. Preço de capital não serve para cidade média; preço de quem atende em local próprio não serve para quem se desloca.

O que você procura não é a média — é entender onde a faixa começa e onde termina, para decidir conscientemente onde quer estar dentro dela.

3. Onde você se posiciona

Aqui entra a única decisão de fato estratégica.

Preço baixo não traz mais trabalho; traz outro tipo de cliente. Quem escolhe pelo menor valor costuma negociar mais, respeitar menos combinações e sumir com mais facilidade. Entrar competindo por baixo é a armadilha mais comum de quem começa, e é difícil de desfazer: subir preço depois significa perder a clientela que veio pelo preço, que é toda ela.

Começar no meio da faixa, com anúncio bem feito e fotos boas, costuma ser mais sustentável do que começar embaixo. Se o objetivo é ganhar volume no início, o caminho com menos dano é oferecer algo a mais pelo mesmo valor — mais tempo, por exemplo — em vez de baixar o número.

4. A estrutura da faixa

Na prática, preço não é um número só:

  • Por duração. Faixas claras, e a mais longa proporcionalmente mais barata que a curta — é o que torna vantajoso escolher a maior.
  • Deslocamento à parte. Se você vai até o cliente, o custo e o tempo do trajeto não podem estar embutidos num valor pensado para atendimento em local próprio.
  • Sinal. Reduz desmarcação, e é prática legítima. As cautelas estão em meios de recebimento — em especial: confirme no seu extrato, nunca no comprovante que te mandaram.

Negociação

Decida antes duas coisas, e não decida nenhuma delas durante a conversa:

O piso. O valor abaixo do qual você não desce, em nenhuma circunstância. Ter esse número pronto é o que permite responder sem hesitar.

O que é negociável. Talvez duração, talvez horário, talvez nada. Tudo bem não ser nada.

Sobre quem insiste depois de um "não": insistência em preço é um dos sinais que aparecem no guia de segurança, e não por acaso. Quem não respeita o valor combinado antes raramente respeita o resto depois.

Quando reajustar

  • Quando o piso subir — custo aumentou, e o preço não acompanhou.
  • Quando a agenda estiver consistentemente cheia. Demanda acima da sua capacidade é a informação de que o preço está abaixo do que a praça aceita.
  • Quando a praça se mover, para cima ou para baixo.

Reajuste na renovação do anúncio, não no meio. É o momento natural para atualizar preço, fotos e expediente de uma vez — e evita a conversa desconfortável com quem viu o valor anterior ontem.

O erro que este texto existe para evitar

Improvisar o preço na hora em que alguém pergunta.

Quem responde de improviso responde para baixo, quase sempre — e o valor dito uma vez vira referência para aquela pessoa. Chegue no cadastro com o número resolvido, escreva ele no anúncio, e a pergunta deixa de existir.

As outras partes desta etapa: o que decidir antes do cadastro e como escrever o anúncio.