Segurança e golpes · Redação Velur ·
Golpe contra anunciante quase nunca é sofisticado. Ele funciona por dois mecanismos simples: pressa, que impede você de pensar, e constrangimento, que impede você de conferir. Quem reconhece esses dois sinais desarma a maioria dos golpes antes do prejuízo.
Este texto faz parte do guia de segurança para quem anuncia sozinha.
1. O falso comprovante de PIX
O mais comum de todos, de longe.
Como começa: a pessoa mostra na tela um comprovante de transferência. Pode ser montagem, print de outra transação, comprovante de um PIX agendado ou simplesmente uma tela falsa — existem aplicativos que geram comprovante convincente.
O sinal: insistência para que você aceite o comprovante sem conferir. "Olha aqui, já mandei", "deve estar caindo", "o banco demora". Some pressa e constrangimento: conferir na frente da pessoa parece desconfiança.
O que fazer: confira no seu aplicativo, no seu aparelho, o saldo, não a notificação. Dinheiro que não aparece na sua conta não foi recebido, e comprovante não é dinheiro. PIX é instantâneo por definição; "está processando" é justificativa que não existe para PIX comum.
Se ainda assim demorar, pode ser PIX agendado — que é transferência marcada para depois e pode ser cancelada. Nesse caso, só o crédito efetivo vale.
2. O calote no fim
Como começa: tudo combinado, atendimento realizado, e na hora de pagar aparece o problema — cartão que não passa, "esqueci o celular", "te pago amanhã", ou simplesmente a pessoa vai embora.
O sinal: ele aparece antes, na resistência a pagar antecipado. Quem pretende pagar não costuma discutir quando.
O que fazer: combine pagamento antecipado, sempre, e confirme o recebimento antes de começar. É a regra que elimina esse golpe inteiro, e é prática normal em serviço prestado por conta própria — não é desconfiança, é procedimento.
Se já aconteceu: registre o que tiver. Calote isolado dificilmente vira caso criminal, mas o registro serve se a pessoa for reincidente com outras.
3. A cobrança antecipada por "verificação" ou "taxa"
Este inverte o fluxo: o golpista se passa por cliente ou por plataforma e faz você pagar.
Como começa: um "cliente" de alto valor diz que só fecha com quem tem "selo", "cadastro premium" ou "verificação" de algum site — e manda o link. Ou alguém se diz da plataforma onde você anuncia e cobra taxa de liberação, de destaque ou de recadastramento.
O sinal: qualquer pedido para você pagar para receber. Cliente de verdade não exige que você compre um selo de terceiro, e plataforma séria não cobra por WhatsApp nem por PIX de pessoa física.
O que fazer: nunca pague para trabalhar. Confira cobrança sempre dentro do painel do próprio site, nunca por link que chegou em mensagem. Na Velur, o pagamento acontece no painel, no fluxo de publicação — nunca por alguém te procurando no WhatsApp.
4. O anúncio clonado
Como começa: suas fotos aparecem em outro site ou perfil, com outro número. Quem procura você encontra o clone, paga sinal para o golpista e some — e a reclamação chega a você.
O sinal: clientes cobrando algo que você não combinou, ou mencionando um número que não é seu.
O que fazer: duas frentes. Peça a remoção à plataforma onde o clone está, com a URL específica. Se houver imagem íntima sua envolvida, o caminho é mais forte e está detalhado em ameaça de exposição — o art. 21 do Marco Civil permite exigir remoção por notificação direta, sem ordem judicial, quando há nudez ou ato sexual privado divulgado sem autorização.
Prevenção que funciona: foto com marca d'água. Na Velur a marca com o identificador do anúncio é gravada pelo servidor no momento do envio, e a original sem marca nunca é publicada — quem copia leva a marca junto, o que torna o clone identificável e mais fácil de derrubar.
5. O "teste de chamada de vídeo"
Como começa: antes de fechar, a pessoa pede uma chamada de vídeo "só para confirmar que é você". Durante a chamada, pede que você mostre algo. A chamada está sendo gravada.
O sinal: a gravação vira material de chantagem depois. O pedido costuma escalar aos poucos, de "mostra o rosto" para outras coisas.
O que fazer: chamada de vídeo para confirmar identidade não precisa de nudez — se o pedido escala, o objetivo não era confirmar nada. Se virou ameaça, o enquadramento é extorsão, com pena de 4 a 10 anos, e o caminho inteiro está em ameaça de exposição.
6. O falso motorista ou "segurança"
Como começa: alguém se oferece para levar, buscar ou "dar segurança" em troca de parte do valor, ou insiste em intermediar seus atendimentos.
O sinal: a participação nos ganhos. É o que caracteriza rufianismo no art. 230 do Código Penal — e o crime é dele, não seu. Costuma começar como favor e virar cobrança fixa.
O que fazer: transporte se contrata e se paga por corrida, como qualquer pessoa contrata. Quem quer percentual não está oferecendo serviço.
O padrão por trás de todos
Releia os seis e o mesmo esqueleto aparece:
- Pressa — decidir agora, sem conferir.
- Constrangimento — conferir pareceria ofensivo.
- Inversão — você paga para receber.
- Escalada — começa pequeno e razoável, cresce depois do primeiro sim.
Contra os quatro serve a mesma resposta: desacelerar. Toda proposta legítima sobrevive a você conferir com calma. Nenhum golpe sobrevive.
O resto do cluster: guia de segurança e ameaça de exposição.
Este texto é informativo e não é orientação jurídica. Em risco imediato, ligue 190; para violência contra a mulher, 180. A Defensoria Pública do seu estado atende de graça.